99% dos clientes bancários já escutaram essa pergunta dos seus gerentes de relacionamento e se você faz parte daquele 1% que nunca ouviu, prepara-se! Leia esse artigo e esteja preparado para respondê-lo ou para reavaliar o seu.
No meu segundo artigo, A Pirâmide do Planejamento Financeiro, falei sobre a importância do planejamento e de se proteger dos riscos que podem acabar com seus planos para o futuro. Hoje vamos aprofundar o 1º Degrau da pirâmide e se você ainda leu o outro artigo completo clique aqui. Acho válido lê-lo para que nosso bate-papo de hoje faça ainda mais sentido para você.

Você já reparou como as coisas mudam rapidamente? O que mudou na sua vida nos últimos 10 anos? E no último ano? E no último mês? Pois é, por mais que você seja um expert em planejamento, existe um número de incertezas muito maior do que podemos prever em nossos cenários. Se analisarmos a palavra LIFE (vida em inglês), ela tem um significado implícito que resume bem isso:

life

O seguro existe para nos proteger desses “se’s” entre o começo e o fim da vida , por isso um bom planejamento financeiro pessoal tem que ter dois seguros: seguro de longo prazo e seguro de curto prazo.

Vamos a um exemplo prático: Você deseja pagar os estudos dos seus filhos ou netos no exterior daqui a 15 anos. Por mais que sua intenção seja boa, não tem como prever como vai estar à situação da empresa que você trabalha, o preço do dólar, a situação política e econômica do Brasil, se terá outra crise mundial, enfim… Você tem que estar preparado para que tudo dê certo e também ficar tranquilo se alguma coisa der errado.

Você precisa de um seguro de longo prazo, que vai ser um investimento como a previdência privada. Se tudo der certo e você conseguir poupar todo mês o valor planejado, daqui a 15 anos você irá realizar seu sonho de pagar os estudos dos seus filhos ou netos. Você precisa também de um seguro de curto prazo, que seria um seguro de vida e invalidez, para o caso de você “vir a faltar” ou perder sua capacidade laborativa. O seguro de vida é conhecido como seguro de curto prazo, pois imediatamente após a fatalidade ocorrida, os beneficiários tem acesso ao capital segurado e podem dar continuidade ao planejamento inicial.

Vejamos outro caso prático no gráfico abaixo:

Uma pessoa que ganha R$ 15 mil e na “falta dela” quer garantir o mesmo valor para os gastos da família durante um período de 6 anos. O valor a ser investido está composto por aplicação mensal de R$ 1,5 mil + Apólice de seguro de vida, que deve diminuir ao longo dos anos.

plano financeiro seguro

A simulação acima levou em conta uma pessoa de 20 anos e um juros reais (acima da inflação) de 3,5% ao ano. Repare como a necessidade de seguro (em vermelho) vai diminuindo à medida que o tempo passa e o volume do investimento (cinza) aumenta. Aos 60 anos, essa pessoa não precisa mais de seguro para esse objetivo financeiro, pois o que ele acumulou mensalmente já garante os gastos da sua família por 6 anos como planejado, mas se alguma coisa desse errado no caminho, esse objetivo também seria alcançado.

Como vocês já devem ter percebido, não tem como começar um planejamento financeiro sem tocar nesse assunto, mas é muito comum meus clientes pedirem para pular essa parte dizendo que eles preferem assumir o risco de não se proteger. Aí que está um grande erro de perspectiva, pois não será ele quem sofrerá as consequências dessa decisão e sim a família toda que depende dele.

Vejamos aos desenhos abaixo que costumo fazer para ficar mais claro para o cliente o que eu quero dizer:

seguro de vida

 

 

 

Não tenho um único que cliente que me aborde dizendo que a vida está fácil e que ele está tranquilo. Olhando a imagem ao lado fica  visível o peso da responsabilidade de quem é o pilar financeiro da casa. Se você é o principal pilar financeiro da família, mesmo tendo o cônjuge ajudando nas despesas da casa….

 

 

 

 

seguro de vida 2

 

imagina o peso que vai ficar no ombro dele que não vai mais poder contar com a sua ajuda nas despesas do dia-a-dia ou pior, as consequência  para a família que perde o principal pilar  financeiro?

Após a construção desse raciocínio é muito comum meu cliente “pensar alto” exclamando: “Meus Deus! Eu não posso morrer!”

 

 

 

 

seguro de vida 3

Se você também chegou a essa conclusão, minha missão foi cumprida, mas acalme-se! O seguro existe para que possamos ter uma vida tranquila e equilibrada. Olhe a imagem ao lado, ao qual o seguro te substituiu como o principal pilar na sua ausência e veja se sente o peso da responsabilidade sobre os seus ombros sumir…

 

 

Alguns clientes entram num estado de negação e alegam que estão saudáveis e que na família deles existem muitos idosos centenários e por isso não precisam se preocupar. Tenho que lembra-los que o seguro não serve somente em caso de morte, mas pode ser muito útil em caso de invalidez, doenças graves e internação por exemplo.

Ninguém está livre de acidentes como o da ciclovia no RJ esse mês (04/2016) em que despencou com uma onda enquanto esportistas praticavam exercícios. Quem imaginava que isso poderia acontecer? O que dizer então do: Incêndio da boate Kiss em RS (01/2013)? Deslizamentos de terra na Serra Fluminense no RJ (01/2011)? Queda do avião da Air France (06/2009)? Incêndio do Edifício Joelma em SP (02/1974)? Desastre de Mariana em Minas Gerais (11/2015)? E tantos outros que aconteceram no Brasil e no mundo.

Outros não negam que pode acontecer, mas dizem que o irmão poderia sustentar sua família e eu sempre questiono: E se fosse o contrário? Você teria condições de manter a família do seu irmão? Acharia certo que ele te desse essa responsabilidade? E se você vier a ter problemas financeiros e tivesse que escolher em quem iria colocar na melhor escola? Seria seu filho ou seu sobrinho? E o seu irmão? O que fará?

A essa altura já devemos concordar que transferir essa responsabilidade para o irmão ou qualquer outra pessoa da família não é a melhor opção e se quer é correto.

Há os que digam que não gostam do seguro de vida, pois não vão usar. Se esquecem que o seguro também protege contra acidentes e invalidez (temporária e permanente). Mesmo que não tivesse essas coberturas, a objeção é vazia, pois esse mesmo cliente não reclama e não deixa de renovar o seguro do carro e o seguro contra terceiros, por não ter capotado de carro no ano anterior ou  não ter atropelado ninguém, mesmo pagando para se proteger desses riscos.

Quem não consegue enxergar os riscos relatados até agora acha desperdício gastar dinheiro com seguro de vida. Eis que te pergunto: se você tivesse uma Bola de Cristal e visse nela que amanhã você irá sofrer um grave acidente de carro, faria sentido ter um seguro de vida hoje de 1 milhão? Não precisamos de bola de cristal, pois nessa vida temos apenas uma única certeza: vamos morrer. No meio de tantas incertezas da vida, faz ou não faz sentido estar preparado para a única certeza que temos?

Se você ainda não está convencido da importância do seguro de vida para o planejamento financeiro pessoal, vou te dar mais dois casos reais diferentes:

               1)  O cliente disse que não precisava de seguro pois tinha um patrimônio de 15 milhões de reais. Uma fazenda no interior e que gerava uma boa renda para a família. Segue o diálogo:

EU: Sua esposa entende do business e consegue “tocar” a fazenda na sua ausência?

CLIENTE: Não, mas eu tenho um capataz da minha inteira confiança que já trabalha comigo há mais de 20 anos e me substitui quando tiro férias.

EU: Ahh entendi! Você vai deixar com o seu capataz a responsabilidade de cuidar da sua família?

CLIENTE: É… bom… minha família pode vender a fazenda também e vão ficar muito bem.

EU: Acho que essa seria uma opção melhor, mas quanto tempo o senhor acha que demora para vender uma fazenda de 15 milhões de reais? E antes de vender a fazenda, sua família terá que pagar as custas do processo de inventário (aproximadamente 14% do valor dos bens) e esperar o processo.  Mesmo que o senhor tenha esses valores disponíveis para pagar o inventário, ainda teria que ter dinheiro disponível para pagar as despesas da sua família até vender a fazenda após terminado o processo de inventário. Em vez de queimar patrimônio, não seria melhor deixar esses valores em forma de seguro?

Desfecho: O cliente conversou com a família e resolveu fazer um seguro.

                 2) O cliente me procurou, pois após 20 anos sem conhecer a filha, tinha se aproximado dela e estava muito preocupado. Como ele sempre teve uma vida solitária, nunca acumulou patrimônio, pois não teria para quem deixar. De uma hora para a outra todo o seu planejamento de vida havia mudado e ele estava se sentindo culpado por não ter nada para deixar para filha como compensação por todos esses anos longe. Como todo bom brasileiro, foi atrás de oportunidades no mercado imobiliário para deixar um apartamento para sua filha.

Fez todas as simulações de contratação de crédito imobiliário e não deu prosseguimento a nenhuma, pois por mais que fossem aceitos, a parcela não caberia no seu orçamento. Sugeri então que quebrássemos esse paradigma cultural e mostrei algumas simulações de capital segurado com valores próximos do apartamento que ele gostaria de comprar e o valor do prêmio do seguro a ser pago ficou 4X mais barato do que o valor da prestação mensal do imóvel. O cliente saiu com sua autoestima renovada e tranquilo de que se algo acontecesse com ele daquele momento em diante, sua filha não estaria mais desamparada.

Casos parecidos com esses eu coleciono alguns, mas acho que você já entendeu a importância do seguro para o sucesso do seu planejamento financeiro.

Um vez entendido a importância do seguro, vamos entender o que acontece na prática quando se tem uma perda importante na família. Talvez você já tenha passado por isso, mas nunca refletiu racionalmente sobre o momento por estar tomado pela emoção.

O impacto emocional da falta do ente querido é sentida mais forte nos primeiros dias/meses.  Num primeiro momento a família se une e ajuda financeiramente, mas com o tempo essa ajuda vai diminuindo, pois cada um tem suas próprias famílias para cuidar. Sendo assim, primeiro se perde o padrão de vida, depois a educação de qualidade, depois oportunidades são perdidas e por aí vai.

impacto x tempo

Aqui no Brasil quando o assunto é Morte, costumamos fazer piada, desviar o assunto, levar na brincadeira quando o assunto deveria ser tratado com a maior seriedade. Hoje aproximadamente 30% da população brasileira tem seguro de vida, mas a maioria recebeu o benefício da empresa ou fez em reciprocidade com o gerente do banco. O que nos leva a imaginar que apesar dessa parte da população ter um seguro, o capital segurado está desenquadrado com  a necessidade do cliente. É como se você tivesse uma Ferrari e fizesse um seguro no valor de um Fusca, ou seja, tem a falsa sensação de que está protegido.

Muita gente me pergunta quanto se deve gastar com seguros, mas não tem fórmula mágica, pois vai depender da necessidade de cada um, porém podemos dizer que até 10% da renda é um percentual que deveria caber no orçamento.

Avalie seu patrimônio, suas despesas, suas receitas, seus planos para o futuro da sua família, converse com seu cônjuge e procure o seu gerente. O melhor momento para se fazer um seguro não é mês que vem, nem semana que vem e nem amanhã. O melhor momento para fazer um seguro e se proteger das incertezas da vida é HOJE!

Agora quando o seu gerente perguntar: “Faz um seguro para me ajudar?”, você, Investidor Absoluto, já sabe o que responder: NÃO! Não vou fazer um seguro para TE ajudar, vou fazer um seguro para ajudar a mim e a minha família!

maxlindercampos
Written by maxlindercampos

Profissional CFP®, Administrador, MBA em Finanças, SUSEP, CPA-20, CEA-ANBIMA, PQO-BMF&Bovespa, Educador Financeiro, Empreendedor e aficionado por novos conhecimento.

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