“Não consigo sair do vermelho!”; “Não sei quanto eu gasto por mês.”; “Ganho bem, mas não consigo juntar dinheiro.”

É bem provável que você se encontre em uma das 3 situações ou já tenha se encontrado em alguma delas e para se tornar um Investidor Absoluto, primeiro você precisa organizar a casa. Ter domínio completo da sua vida financeira para então poder começar seu planejamento, pois como vimos no artigo A Pirâmide do Planejamento Financeiro, a renda é a base de todo planejamento.

Todo curso ou palestra de finanças pessoais que eu ministro me perguntam qual o melhor software, app ou planilha eletrônica para controle e organização de gastos. Minha resposta é sempre a mesma: “VOCÊ!” Não adianta ter toda a tecnologia de ponta disponível ao seu alcance se você não tiver vontade e consciência da importância de manter suas contas em dia. Alguns retrucam que não tem esse controle porque não  se entendem muito bem com a tecnologia, mas se esquecem que basta um papel e uma caneta para manter o controle.

Um erro fatal que frustra a maioria dos controles financeiros é a omissão do lançamento dos chamados “pequenos gastos”. Tendemos a não dar importância para aquele cafezinho todo dia de manhã, àquele lanchinho da tarde, àquela lembrancinha, enfim aos gastos rotineiros ou não, de pequeno valor que fazemos quase diariamente. Separados eles realmente são  inofensivos, mas quando somam-se no final do mês, o efeito pode ser devastador na renda.

Outro ponto que costuma arruinar as finanças pessoais são os chamados “gastos fantasmas”. Este tipo de gasto vem junto com a compra de um bem, como por exemplo um carro. Motivado emocionalmente pela compra do carro, leva-se em conta na decisão final se a parcela do financiamento  cabe no orçamento, mas esquece-se de contabilizar IPVA, Gasolina, Seguro, Revisão, Estacionamento, Pedágio,… o que pode mais que dobrar o custo do mensal da nova aquisição.

A maioria dos especialistas condenam o cartão de crédito com o vilão mais conhecido do orçamento pessoal. Eu discordo e acho que a vilã é a falta de educação financeira. O cartão de crédito pode ser uma incrível ferramenta de auxilio no seu controle financeiro. Com ele você pode limitar o limite de crédito para o valor máximo que você tem disponível para gastar. Além de não te deixar gastar mais do que pode, ele ainda te manda todo mês um relatório completo com todos os seus gastos, com data, local, valor e alguns disponibilizam até gráficos. É ou não é uma ferramenta valiosa?

Mas para tudo isso funcionar harmoniosamente, primeiro você precisa se organizar, desenvolver bons hábitos financeiros e combater os hábitos ruins, que são fatais para seu orçamento de longo prazo apesar de causarem prazeres de curto prazo.

“Se você tem um hábito ruim, ele está sempre ali à espreita, esperando as deixas e recompensas certas. Isso explica por que é tão difícil criar o hábito de fazer exercícios, por exemplo, ou de mudar nossa alimentação. Uma vez que adquirimos uma rotina de sentar no sofá em vez de sair para correr, ou de fazer um lanchinho sempre que passamos por uma caixa de donuts, esses padrões continuam para sempre dentro das nossas cabeças.” (O poder do hábito – Charles Duhigg, Pg 47)

O primeiro desafio para começar a desenvolver o hábito bom é anotar tudo de maneira organizada. Independente se será num papel, num bloco de notas do celular ou do computador, num app ou numa planilha eletrônica, você precisa desses dados para gerar relatórios sobre o seu hábito de consumo. O exercício de tomar nota de todos os gastos será um exercício a ser praticado por toda a vida, pois como alertou Duhigg, o hábito ruim está sempre ali à espreita com recompensas de curto prazo, porém uma vez cedido ao imediatismo, todo o seu trabalho de longo prazo terá de recomeçar.

Para “nos convencermos” de manter um hábito bom, mesmo com recompensas de curto prazo dos hábitos ruins nos tentando o tempo todo, é preciso manter outro exercício diário. Precisamos ter em mente o que queremos conquistar, ter objetivos definidos para que possamos nos lembrar do motivo mor de estarmos postergando essa recompensa de curto prazo.

Apesar de controverso, muitas pessoas da área de exatas fazem esse controle orçamentário diariamente das finanças das empresas em que trabalham e em suas vidas pessoais não tem a mesma dedicação.

Se você não tem um histórico dos seus gastos, mas quer começar a entender um pouco melhor suas finanças, um bom documento para você avaliar é sua declaração de imposto de renda dos anos anteriores. Neste documento obrigatório contém todas as suas rendas, seus investimentos e seu patrimônio. Com uma simples observação dessas informações você consegue saber o quanto sua renda cresceu/encolheu nos últimos anos e ver se a evolução de seus investimentos e de seu patrimônio acompanharam.

Esse exame do imposto de renda é bem interessante, pois muitas vezes se preenche de maneira apressada a declaração de IR às 22h do último dia do prazo de entrega, sem um exame mais criterioso. Após entregue e sem cair na malha fina, quantas vezes mais você pegou para analisar o relatório gerado pela Receita Federal?

Pois é… experimente agora somar toda a sua renda bruta desde que começou a fazer sua declaração de IR e veja a fortuna que você já produziu com suor do seu trabalho nos últimos anos. Para onde foi todo esse dinheiro?

Impossível se lembrar de tudo, mas você vai se surpreender como quão frágil é a  memória. Talvez você se lembre daquela viagem em família para o exterior, da casa própria e outros gastos que exigiram um esforço maior e que valeram a pena os esforços feitos, mas não vai fazer ideia de onde gastou grande parte dessa fortuna conquistada.

Tomar as rédeas de suas finanças é tomar decisões mais racionais e não ceder ao apelo do marketing agressivo a que somos expostos a todo tempo na internet, TV, rádio, Outdoors, enfim, em todos os lugares. Sem um bom controle de orçamento, um objetivo bem definido e um bom planejamento para chegar lá você se torna um mero expectador da sua própria vida, sendo levado de um lugar a outro, por apelos de curto prazo.

Um exercício que funciona para começar a desenvolver o hábito de autocensura e evitar o consumismo é se fazer três perguntas antes de qualquer compra:

  1.        Preciso disso?
  2.        Posso comprar?
  3.        Tem que ser agora?

Analise sua declaração de imposto de renda, comece a anotar seus gastos, se questione antes de comprar e tenha um objetivo bem definido. Acrescentando esses exercícios na sua rotina, logo logo eles se tornarão hábitos bons e substituirão seus hábitos ruins.

A melhor hora para começar a ser organizar financeiramente não é ano que vem, nem virada desse mês, nem é na próxima segunda-feira. A melhor hora é agora!

 

Referências:

 

 

 

maxlindercampos
Written by maxlindercampos
Profissional CFP®, Administrador, MBA em Finanças, SUSEP, CPA-20, CEA-ANBIMA, PQO-BMF&Bovespa, Educador Financeiro, Empreendedor e aficionado por novos conhecimento.

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