“ Eu sou conservador, tenho R$ 600.000 na poupança!” “Eu sou conservador, só invisto na minha empresa!” “Eu sou conservador, meu dinheiro está todo em ações da Petrobrás e da Vale!”

Os três exemplos acima são depoimentos reais que escutei em sala de aula. Você concorda com eles?

Hoje vou ajudá-lo a se conhecer enquanto investidor e a entender o motivo da maioria esmagadora de nós sermos ou nos sentirmos conservadores. Mas primeiro vamos entender como o investidor racional escolhe seus investimentos.

Diante da possibilidade de obter um retorno de 12% com risco ou sem risco, o investidor racional iria escolher o investimento sem risco, pois não faria sentido correr o risco em uma situação onde é possível ter o mesmo retorno sem risco. Agora você deve estar se perguntando quanto valeria apena então ganhar mais se tivesse que correr algum risco. Pois bem, aí que entra o seu perfil de investidor e sua aversão ao risco.

Cada perfil de investidor vai exigir um prêmio de risco (diferença entre o retorno do investimento com risco para os juros da renda fixa – SELIC / CDI) , ou seja, dependendo do seu perfil você vai exigir X% para cada unidade de risco maior do seu investimento.

O investidor precisa conhecer seu perfil de investimento antes de fazer seu planejamento financeiro. Esta informação é importante para sabermos o quanto cada um tem de apetite ao risco e como podemos diversificar seus investimentos. Não há fórmula mágica para se descobrir o perfil de investimento e existem outros fatores que também devem ser levados em consideração na hora de começar a investir que são: O horizonte de investimento (tempo), objetivo, capital inicial e rentabilidade esperada.

O teste de perfil de investimento é uma ferramenta do investidor que o ajuda a se conhecer melhor ea ter mais firmeza na escolha do investimento mais adequado.  Alguns investidores preferem ter uma rentabilidade mais baixa na renda fixa, do que se arriscar na renda variável para obter maiores rentabilidades correndo o risco de perder algum dinheiro.

Talvez você tenha estranhado ou até possa ter se sentido ofendido, quando eu falei da escolha do investidor racional, mas fique tranquilo, pois é assim que a literatura e as teorias econômicas são criadas, levando em consideração que todos nós somos racionais no nosso processo decisório. Mas para você compreender ainda mais essa situação, vamos para um exemplo prático do nosso processo decisório. Considerando os dois problemas abaixo, quais decisões você recorreria em cada uma das situações:

Problema 1: O que você prefere?

Conseguir novecentos dólares com certeza OU 90% de chance de conseguir mil dólares?

Problema 2: O que você prefere?

Perder novecentos dólares com certeza OU 90% de chance de perder mil dólares?

“Você provavelmente foi avesso ao risco no Problema 1, como a grande maioria das pessoas. O valor subjetivo de um ganho de novecentos dólares é certamente mais do que 90% do valor de um ganho de mil dólares. Agora examine a sua preferência no Problema 2. Se você é como a grande maioria das pessoas, optou pela aposta nessa questão. A explicação por essa escolha pela busca pelo risco é a imagem espelhada da explicação para a aversão ao risco no Problema 1: o valor(negativo) de perder novecentos dólares é muito maior do que 90% do valor (negativo) de perder mil dólares.  A perda certa é muito aversiva, e isso impulsiona você a correr o risco.”

Portanto, por mais que você não tenha escolhido a opção mais racional nos dois problemas, a sua escolha tem muito a ver com o seu perfil de investidor. Daniel Kaneham (Prêmio Nobel de Economia em 2002), Richard Talher e Dan Ariley trazem diversos estudos combatendo os pensadores que criaram as principais teorias econômicas, pois eles partiram do principio de que todos nós somos racionais, egoístas e nossos gostos não mudam, mas esquecem que a maior parte do nosso cérebro é emocional.

Iremos discutir mais sobre o processo decisório em outros artigo, mas fica como alerta que nem sempre percebemos que não estamos sendo racionais.

Preocupados com o aumento de pessoas físicas investindo e com a falta de informação dos investidores, a CVM[1] definiu alguns conceitos lógicos que orientam a formação de um teste para descobrir a aversão ao risco do investidor. A CVM recomenda que todas as sociedades corretoras[2] de valores façam o teste do perfil de investimento com os clientes. Essa ferramenta é usada como forma de conhecer previamente o cliente, para então sugerir os produtos mais adequados ao seu perfil, evitando-se assim um desestímulo do investidor com resultados inesperados.

Como ainda não existe um padrão de perguntas para o teste de perfil de investimento, vamos usar como exemplo o teste da XP Corretora:

 

  1. Qual a sua idade?

A – Tenho menos de 25 anos

B – Tenho entre 26 e 40 anos;

C – Tenho entre 41 e 60 anos;

D – Tenho mais de 61 anos.

 

  1. Como você avalia seu grau de conhecimento sobre o mercado financeiro?

A – Baixo (nada conheço do mercado)

B – Razoável

C – Bom

D – Excelente (tenho total domínio)

 

  1. Quais tipos de investimento você tem ou já teve? (Pode ser mais de uma opção).

A – Nunca tive investimentos;

B – Invisto em poupança, CDB ou títulos públicos;

C – Aplico em fundos multimercado ou de renda fixa;

D – Invisto em ações ou Fundos de Ações;

E – Opero day trade, derivativos ou contratos na BMF.

 

  1. Quanto você pretende investir do seu patrimônio na XP? (Seja diretamente

ou através de fundos de investimento)

A – De 0% a 30%

B – De 31% a 50%

C – De 51% a 70%

D – De 71% a 100%

 

  1. Da parte que você pretende investir na XP, quais são seus objetivos?

A – Preservar meu patrimônio, realizando operações de renda fixa;

B – Buscar ganhos no longo prazo, ciente de que, no longo prazo, a tendência dos ativos de primeira linha é se valorizarem, tornando menores as chances de perda;

C – Buscar ganhos rápidos e pontuais no curto prazo, ciente de que, no curto prazo, os ativos podem ser suscetíveis a bruscas e inesperadas oscilações de

preço, o que torna o risco da operação mais elevado;

D – Realizar operações “alavancadas”, buscando retornos expressivos, ciente de que, nessa modalidade de operação, as chances de perda são superiores as dos itens anteriores.

 

  1. Supondo que a sua posição em ações sofresse desvalorização de 30%, o que você faria?

A – Venderia todas as ações;

B – Venderia parte das ações, reduzindo minha posição;

C – Continuaria com todas as ações aguardando uma melhora do preço;

D – Compraria mais ações aproveitando a baixa do preço.

 

Tabela 5 – Valoração das Perguntas

ALTERNATIVAS / PONTUAÇÃO

A

B C D

E

PERGUNTAS

1

2 1,5 1

0,5

2

0 0,5 1

1,5

3*

0 1 2 3

4

4

3 5 7

9

5

0

5

10

15

6 1 2 3 4
* Soma de cada questão marcadaFonte: XP Investimentos CCTVM – Suitability, 2011. 

Tabela 6 – Definição dos Perfis

Perfil

Total de Pontos Entre:

Conservador

=>

5,5 e 10

Moderado

=>

10,5 e 16,5

Moderado – Agressivo

=>

17 e 25

Agressivo =>

25,5 e 35,5

Fonte: XP Investimentos CCTVM – Suitability, 2011.

“Avaliando as respostas e o resultado final da pontuação obtida, a XP qualifica o cliente com um perfil de investimentos. Destacamos que os produtos apresentados são apenas indicações de investimentos mais adequadas ao seu perfil de investimentos. A decisão final é sempre do cliente. (Suitability, 2011, XP Corretora)

Após a definição do seu perfil de investidor, procure um especialista para que ele possa te orientar sobre os melhores produtos para cada objetivo financeiro que você tiver, mas antes de tomar qualquer decisão procure mais informações a respeito das suas possibilidades e invista em educação financeira para embasar suas decisões.

 Referências:

  • Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar – Daniel Kahneman
  • Manual Suitability XP – 2011
  • Mercado Financeiro: Produtos e Serviços – Eduardo Fortuna

[1] “…orgão normativo do sistema financeiro, especificamente voltado para o desenvolvimento, a disciplina e a fiscalização do mercado de valores mobiliários não emitidos pelo sistema financeiro e pelo Tesouro Nacional.” (Fortuna, Eduardo, Mercado Financeiro: Produtos e Serviços, 2006, p.22)

[2]  “São instituições típicas do mercado acionário, operando com a compra, venda e a distribuição de títulos e valores mobiliários (inclusive ouro) por conta de terceiros. Elas fazem a intermediação com a bolsa de valores e de mercadororias. (Fortuna, Eduardo, Mercado Financeiro: Produtos e Serviços, 2006, p.36)

 

maxlindercampos
Written by maxlindercampos
Profissional CFP®, Administrador, MBA em Finanças, SUSEP, CPA-20, CEA-ANBIMA, PQO-BMF&Bovespa, Educador Financeiro, Empreendedor e aficionado por novos conhecimento.

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