“O lucro dos bancos só aumenta e o juros não cai.” “A tarifa bancária é muito alta!” “O juros do financiamento do meu carro é um absurdo!” “Eu odeio os bancos!” “O atendimento no meu banco é péssimo!”

Essa também é a sua opinião? Já parou para pensar que o problema pode ser você?

Escuto muito em conversa com amigos, nos debates em sala de aula e em discussões de família de que os bancos só são bons quando você não precisa deles. E que eles não têm pena de cobrar juros altíssimos quando você precisa deles, como se o banco fosse uma instituição beneficente. Vamos entender primeiro o que são os bancos. Os bancos são empresas que vendem dinheiro. Assim como a AMBEV vende bebidas, a Souza Cruz vende cigarros e a Coca-Cola vende refrigerantes. Você não é obrigado a comprar esses produtos somente porque eles estão à venda.

Quando você vai comprar uma roupa, um carro, uma passagem aérea ou qualquer simples produto você pesquisa e compara marcas, produtos e serviços, deve fazer o mesmo com os bancos. Primeiro você deve se perguntar o porquê precisa do dinheiro deles e reavaliar as escolhas que fez com o seu. Começar com um bom planejamento financeiro é fundamental. Se você não sabe por onde começar, leia o meu artigo A Pirâmide do Planejamento Financeiro e procure a ajuda de um profissional.

Antes da invenção da moeda, para se conseguir comprar algo, era necessário achar alguém que tivesse o produto da sua necessidade e que aceitasse o que você tinha para dar em troca. As negociações eram feitas na base do escambo. O que aconteceria se você precisasse de 5kg de feijão e só tivesse seu carro para trocar? A moeda serviu para padronizar e precificar os bens e serviços. Quando você precisa de um serviço específico hoje, você o troca por dinheiro. O prestador de serviço, por sua vez, pode guardar esse dinheiro e juntar o que já tem para trocar por outro bem ou serviço quando ele precisar.

O problema com as trocas é tão antigo quanto à solução que a civilizações iam encontrando para contornar a situação. Existem provas de que já no ano 3.000 A.C na Mesopotâmia, atual Iraque, eles usavam o Shekel como unidade de moeda. Shekel era uma unidade de cevada de certo peso que equivalia a certo valor de ouro ou prata. Já os sistemas bancários modernos surgiram apenas no século XIV, no norte da Itália. A palavra “banco” vem do italiano como o mesmo sentido do lugar aonde os banqueiros se sentavam para fazer negócios.  A primeira atividade comercial com emissão de cédulas em dinheiro foi do Banco da Escócia em 1696.

A riqueza começou a crescer, no século XIV, e houve uma demanda por um lugar seguro aonde se pudessem guardar o ouro ganho com a produção de bens e serviços. Os banqueiros foram construindo cofres cada vez mais seguros e recebendo depósitos. Em troca dos depósitos entregavam uma espécie de recibo. Esse recibo começou a ser usado como moeda de troca por mercadoria. O comerciante poderia trocar esse recibo por nova mercadoria ou ir ao banco sacar pelo equivalente a ouro. Esses recibos foram o inicio da formação do dinheiro como conhecemos hoje.

Os banqueiros começaram a perceber que os resgates começaram a diminuir e representavam um pequeno montante de todo o valor depositado e que o restante do dinheiro ficava parado em seus cofres. Começou então a pegar o dinheiro dos clientes emprestado, pagando juros por aquele dinheiro e emprestando o dinheiro para quem precisava cobrando um juro maior para que tivessem lucro. Isso atendia a todos – o depositante, o devedor e é claro ao banco, que usava o dinheiro dos clientes para alavancar seus ganhos. E até hoje funciona assim.

Isso torna os bancos fundamentais para economia e para você. É através dos bancos que “tomadores encontram poupadores.” O banco intermedia negócios entre clientes que tem sobra de dinheiro no mês, os poupadores, e os que têm déficit, esses por sua vez precisam de empréstimos para pagar suas contas. Por outro lado isso deixa os bancos vulneráveis, pois se todos os clientes forem sacar seu patrimônio ao mesmo tempo, talvez o banco não tenha para entregar, pois fez empréstimos de longo prazo e o dinheiro ainda não voltou para o banco.

O Brasil passou por graves crises bancárias na década de 90 e para dar mais credibilidade e segurança para as instituições financeiras foi criado o Fundo Garantidor de Crédito para garantir algumas modalidades de aplicações de até 250 mil reais por instituição financeira e por CPF.

Existe um pensamento de mercado que diz, “se estão comprando não está caro.” Se você está achando o dinheiro muito caro para fazer um empréstimo, faça o mesmo que você faz quando o preço da carne sobe, não compre! Se planeje e compre o que desejar quando puder pagar com o seu dinheiro.

A tarifa bancária também é alvo de reclamação muitas vezes, mas ela nada mais é do que o preço que o banco te cobra para te dar uma conta, extratos, talão de cheque, cartão de débito entre outras, ou seja, quanto ele te cobra para te prestar um serviço. Cada banco cobra um preço por seus serviços, basta você procurar o melhor custo X benefício.  O que muita gente não sabe é que alguns bancos oferecem serviços gratuitos com uma cesta básica de serviços. Acessando a matéria da Revista Exame, clicando aqui, você tem mais informações das 7 instituições financeiras em que é possível abrir uma conta gratuita e que tipo de serviço eles oferecem.

O fato é: só existe uma estratégia para vencer a guerra com os bancos – Educação Financeira. Você precisa se tornar um cliente poupador para poder emprestar o seu dinheiro e jogar no mesmo time dos bancos e admitir que talvez o problema não seja 100% deles e que existem outras opções melhores do que as que você enxerga hoje.  Se você não tiver conhecimento para fazer as melhores escolhas para o seu bolso e não admitir isso, ficará sempre dependente do dinheiro dos bancos, assim como um alcoólatra que sabe do seu vício e fica sempre adiando a procura por ajuda. O melhor momento para fazer isso não é amanhã ou depois de amanhã. O melhor momento é AGORA! Enquanto você lê esse artigo o lucro dos bancos está aumentando e o seu?

Referências:

Vamos continuar o debate nos comentários abaixo. Você é um poupador ou um tomador de recursos? Convide seus amigos e familiares para refletir sobre isso indicando o Investidor Absoluto para eles e nos ajude a criar a maior comunidade para debate e educação financeira do Brasil.

maxlindercampos
Written by maxlindercampos
Profissional CFP®, Administrador, MBA em Finanças, SUSEP, CPA-20, CEA-ANBIMA, PQO-BMF&Bovespa, Educador Financeiro, Empreendedor e aficionado por novos conhecimento.

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