Tem medo de investir em ações? Já ouviu dizer que muita gente perdeu tudo em bolsa? Para você bolsa é cassino?

Você investe em renda fixa tranquilo? Mas que segurança é essa? Lembra do Collor? E da poupança Bamerindus?

O assunto tema do nosso bate-papo de hoje é uma reflexão que há muito tempo trago para debate nos cursos que ministro, principalmente para despertar o interesse do investidor em descobrir o verdadeiro potencial do  mercado de ações do mundo real. Apesar de pouquíssimas pessoas conhecerem de fato o mercado de ações, todo mundo tem uma opinião formada sobre o assunto, assim como todos viramos técnicos de futebol em época de copa do mundo.

Vamos começar definindo renda fixa e renda variável:

  •                    Renda variável, como o próprio nome já sugere, varia de acordo com alguns fatores como volatilidade, liquidez e risco, sendo assim, não se sabe antecipadamente qual será o retorno do investimento. Nesses tipos de investimento o investidor pode ter prejuízos, o que significa que ele pode perder dinheiro ao invés de ganhar, mas normalmente esses investimentos, se analisados da forma correta e com conhecimento prévio podem trazer excelentes resultados. Dependendo do horizonte do investimento do investidor, pode ser uma excelente opção de diversificação até mesmo para os investidores com os perfis mais conservadores;
  •                    Renda fixa, ao contrario do que se pensa, nem sempre se sabe exatamente o quanto vai se ter no final do vencimento de uma aplicação. Isto acontece, pois este tipo de investimento pode ser pré ou pós fixado. Os investimentos pós fixados são atrelados a taxas que oscilam diariamente como a taxa Selic([1]) e o DI([2]) ou os índices de preços. Outro mito sobre renda fixa é que não se tem risco em investimentos dessa categoria, pois todo investimento de renda fixa incorre no risco institucional e no risco de crédito das instituição que remuneram seu capital. Existem alguns investimentos que tem garantia do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) até determinado valor financeiro, mas é importante conhecer muito bem o investimento e a instituição para que se minimizem os riscos do investimento.

A grande maioria dos brasileiros associa a bolsa de valores a cassino. Pode até ser um para você dependendo de como você vai fazer suas aplicações, mas mesmo para quem vê bolsa de valores como cassino é bom negócio. A bolsa só sobe ou desce e não precisa ser nenhum gênio matemático para notar que a sua probabilidade de ganho, nesse cenário, é de 50%. Qual cassino te dá tanta probabilidade de ganhar assim?

Enfim, esse não é caminho mais seguro de seguir no mercado de ações, mesmo para quem tem perfil de investidor agressivo, o correto é ter uma estratégia para entrar e para sair quando o momento for propício. Veremos com mais detalhes o mercado de ações em outro bate-papo, a priori, você tem que entender que quando você compra ações existem gatilhos que você pode programar para vendê-las e limitar seu investimento a um lucro aproximado de X% ou um de prejuízo aproximado de Y%, o que sair primeiro.

Você pode fazer uma análise de que uma empresa pode se valorizar aproximadamente 12% em um determinado período de tempo, mas se você estiver errado e ela cair, seu limite aceito de prejuízo será próximo de 3%, por exemplo. Assim você estaria correndo o risco de perder 3% para ganhar 12%, uma relação risco X retorno aceitável para um perfil moderado-agressivo e agressivo.

Vejamos agora um caso prático da relação risco X retorno de uma aplicação de renda fixa:

Certa vez ouvi de uma aluna de que ela tinha R$ 400.000,00 em poupança. Perguntei:

– Qual o motivo da sua escolha pela poupança?

 – A segurança! – respondeu ela convicta.

– E qual a segurança da poupança? Perguntei.

Ela coçou a cabeça e não soube me dizer. Nascemos e somos criados ouvindo falar sobre a segurança da poupança, mas o tempo passa, o tempo voa e a poupança Bamerindus… Pois é, expliquei para ela que quem garante a poupança é o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e em 2011, ano dessa aula, ele só cobria aplicações até R$ 70.000,00. Caso o banco que ela estava aplicada viesse a “quebrar”, o FGC só garantiria 18% do seu patrimônio aplicado. A segurança dela era pura falta de informação. Ela nunca tinha questionado a informação que lhe havia sido passada. Aplicou todo seu patrimônio financeiro confiando em seu conhecimento superficial sobre um determinado investimento especifico, a poupança.

 Analisando friamente esse investimento, da maneira que ela fez,  ela ganharia 6,17% ao ano com o risco de perder 82% do seu patrimônio caso algo desse errado com aquela instituição. É ou não é um investimento muito agressivo para um retorno tão baixo?

Esse limite máximo de cobertura do FCG teve seu aumento aprovado por unanimidade para 250 mil reais em assembleia realizada no dia 30/04/2013. Esse limite é por CPF e por instituição financeira. Se você tem 400 mil reais em aplicações financeiras garantidas pelo FGC, sendo R$ 200 mil aplicados no Banco A e outros R$ 200 mil no Banco B e ambos decretarem falência, o seu dinheiro está 100% garantido.

O FGC garante aplicações em LCI (Letra de Crédito Imobiliário), CDB (Certificado de Depósito Bancário), poupança, DPGEs (Depósito a Prazo com Garantia Especial), dentre alguns outros produtos de emissão bancária e depósitos à vista em conta corrente. Conheceremos mais sobre esses produtos na série de artigos de renda fixa do Investidor Absoluto.

  Você provavelmente já deve ter ouvido falar que os Títulos Públicos são os ativos mais seguros e são quase unanimidade como os melhores investimentos de renda fixa. Mas quantos autores e sites te disseram que você pode perder dinheiro aplicando nos títulos do governo federal? Não acredita? Olhe essa tabela de rentabilidade com todos os tipos de títulos do Tesouro Nacional:

Rentabilidade do Tesouro Direto – Posição em 02/04/2014

Títulos

Vencimento

Rentabilidade Bruta

Últ. 30 dias

 Mês Anterior

No Ano

12 Meses

Prefixados

LTN 01/01/2015 0,86% 0,88% 3,08% 6,55%
LTN 01/01/2016 1,02% 1,00% 3,37% 3,44%
LTN 01/01/2017 1,40% 1,15% 4,04% 0,41%
LTN 01/01/2018 1,67% 1,38%

NTN-F 01/01/2017 1,33% 1,04% 3,97% 2,00%
NTN-F 01/01/2021 1,89% 1,59% 6,56% -2,99%
NTN-F 01/01/2023 2,02% 1,81% 7,13% -4,43%
NTN-F 01/01/2025 2,04% 1,69%

Indexados à Taxa Selic

LFT 07/03/2015 0,77% 0,81% 3,29% 9,21%
LFT 07/03/2017 0,70% 0,73% 3,21% 9,09%

Indexados ao IGP-M

NTN-C 01/07/2017 1,31% 1,06% 5,04% 4,62%
NTN-C 01/04/2021 1,41% 1,34% 5,62% -1,48%
NTN-C 01/01/2031 1,96% 1,48% 4,78% -7,31%

Indexados ao IPCA

NTN-B 15/05/2015 1,15% 1,06% 4,16% 7,79%
NTN-B 15/05/2017 1,45% 1,18% 4,82% 3,38%
NTN-B 15/08/2020 1,49% 1,34% 5,38% -2,17%
NTN-B 15/08/2024 1,92% 1,70% 5,04% -6,13%
NTN-B 15/05/2035 2,54% 1,87% 4,03% -13,64%
NTN-B 15/05/2045 2,85% 1,94% 3,84% -16,87%
NTN-B 15/08/2050 3,07% 1,97% 3,80% -18,33%
NTN-B Principal 15/05/2015 1,14% 1,05% 4,15% 7,62%
NTN-B Principal 15/05/2019 1,64% 1,30% 5,11% -2,59%
NTN-B Principal 15/08/2024 2,30% 2,10% 5,18% -11,31%
NTN-B Principal 15/05/2035 4,47% 3,04% 2,86%

-28,48%

 

Como um investimento pode ser ao mesmo tempo o mais seguro do país e render -28,48%? Isso você verá com mais detalhes na série de produtos de renda fixa que apresentarei nos próximos artigos, a questão é: Questione-se sempre! Não é porque você não conhece o risco que ele não existe.

Tento sempre mostrar de forma clara e sem “financês” as características de cada produto para que você possa definir quais dessas características são pontos positivos e negativos para você. Como já citei aqui em outros artigos, não existe um algoritmo matemático que mostre o melhor investimento para você. Esse processo decisório de montar uma carteira de investimento depende do seu perfil de investidor, do seu horizonte de investimento, dos seus objetivos financeiros de curto, médio e longo prazo, da sua capacidade de poupança e do seu planejamento e controle financeiro.

Referências:

  •  http://www3.tesouro.gov.br/tesouro_direto/rentabilidade.asp
  •  E-book Criando uma Carteira de Investimentos Para Aposentadoria, 2012 – Max Linder Campos

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[1] “É a taxa apurada no Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia), obtida mediante a cálculo da taxa média ponderada e ajustada das operações de financiamento por um dia, lastreadas em títulos públicos federais e cursadas no referido sistema ou em câmaras de compensação e liquidação de ativos, na forma de operações compromissadas.” (Pereira, Fabio, Títulos Públicos Sem Segredo, 2009, p.144)
[2] As estatísticas do ativo Taxa DI-CETIP Over (Extra-Grupo) são calculadas e divulgadas pela Cetip, apuradas com base nas operações de emissão de Depósitos Interfinanceiros pré-fixados, pactuadas por um dia útil e registradas e liquidadas pelo sistema CETIP, conforme determinação do Banco Central do Brasil.

 

maxlindercampos
Written by maxlindercampos
Profissional CFP®, Administrador, MBA em Finanças, SUSEP, CPA-20, CEA-ANBIMA, PQO-BMF&Bovespa, Educador Financeiro, Empreendedor e aficionado por novos conhecimento.

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