Você tem um planejamento financeiro? Sabe o que é um?

Conheço muita gente que acha que planejamento financeiro é ter uma planilha de controle de gastos, o que é um erro. A planilha é apenas um monitoramento do seu planejamento. O planejamento é muito mais amplo e é indispensável para todo Investidor Absoluto.

Base: Ter uma renda

Quando falamos de planejamento e organização financeira a primeira coisa que vem na nossa cabeça são as despesas, quando na verdade deve-se começar pela renda. A renda é à base da pirâmide do planejamento financeiro, pois sem ela você não tem uma direção a seguir. Sem renda você não pode planejar a reforma da casa, a troca do carro, a viagem das férias. Sem a base da pirâmide, não podemos consumir e nem investir em nada.

Eu, assim como você e todo o brasileiro, tenho a tendência de queimar várias etapas do meu planejamento, saindo da base para o topo e por isso nossa organização financeira parece não ter solução. Se a pirâmide não for bem fortalecida desde a base, qualquer acidente no percurso derruba toda a nossa organização.

Esse mau hábito é difícil de ser trocado, exigindo um trabalho continuo de autocontrole, por isso é comum começar empolgado e depois ir se perdendo nesse planejamento. Eu mesmo cometi esse erro com 18 anos, pois queria de qualquer jeito ter meu carro. Ao invés de seguir o conselho do meu pai na época de comprar um carro usado e bem mais barato, empenhei 100% da minha renda nas prestações na compra de um carro 0km. Mas essa história eu conto em detalhes nos próximos artigos, o fato é que pulei da base (ter renda) para o penúltimo degrau (conquistas). O que me pareceu bem racional na época, se eu tenho dinheiro, por que não comprar o carro que eu queria?

O motivo estava bem na minha cara e só me dei conta anos depois quando comecei a estudar finanças. A primeira coisa que fiz assim que paguei a entrada do carro foi fazer o seguro, afinal eu estava adquirindo um bem e ficaria extremamente encrencado se algo acontecesse com ele. Você deve concordar comigo e deve fazer a mesma coisa, pois bem, estava feliz com meu novo carro e tranquilo com o seguro que fiz, mas não tinha me atentado para um pequeno detalhe que poderia ter se tornado um complicador que mudaria toda a minha vida.

O que aconteceria se eu perdesse o emprego antes de terminar de pagar todas as prestações? Ou pior, se tivesse acontecido alguma coisa comigo que tivesse me deixado inválido para trabalhar? Como eu iria honrar meu compromisso e qual seriam as consequências se não honrasse?

1º Degrau: Blindagem Patrimonial

Agora me parece óbvio que deveria ter protegido a minha renda, assim como protegi meu carro, ainda bem que não aconteceu nada. E por não acontecer nada na maioria das vezes nós preferimos pensar que não irá acontecer e julgar quem pensa de modo contrário como pessimista, quando na verdade é o modo certo.

Não sei se você já teve a vivência de uma doença inesperada na sua família, mas se não teve com certeza conhece alguém que teve. No meu caso aconteceu com a minha mãe que sempre teve uma saúde boa e sofreu um infarto com 45 anos de idade, o que acabou a invalidando pelo resto de sua vida. Aconteceu com ela e pode acontecer comigo e com você… Se pode acontecer você tem que se planejar e estar preparado.

Existem diversos produtos financeiros que te ajudam a proteger sua renda e te dar uma segurança caso te aconteça algo passageiro e em casos mais graves, possam proteger também a sua família. Seja você o principal responsável financeiro da família ou contribua com um pequeno percentual, a falta da sua renda irá prejudicar os planos da família, seja por qual motivo for. A dor da perda, seja da vida ou da capacidade laborativa, pode trazer sérios transtornos psicológicos para qualquer família e se vier somado a problemas financeiros, a dor irá aumentar de forma exponencial.

Quando esse tipo de coisa acontece à família normalmente se une para ajudar e consolar os que mais precisam, mas por outro lado eles também têm suas perdas e problemas financeiros para contornar. Por quanto tempo você acha, por exemplo, que seu irmão ou cunhado poderá financiar a escola do seu filho no melhor colégio que você pode pagar? Você teria como ajudar os filhos dele caso acontecesse algo com ele? Por quanto tempo? Mesmo que ele ou você tenha condições de fazer, você acha justo transferir essa responsabilidade para outras pessoas?

Não, né?! Concordo com você, mas não se preocupe em nunca ter pensado nisso dessa forma, pois também demorei a ter essa consciência. Nosso primeiro contato com seguros de vida e de renda normalmente é através de produtos financeiros pensados na segurança das grandes instituições financeiras e não das nossas rendas ou necessidades.

Acabamos por julgar todos os produtos pelos que já conhecemos e muitas vezes fazemos esses seguros somente para ajudar o gerente a bater sua meta. Esse tipo de produto que nos é oferecido e o modelo da abordagem de suas vendas faz com que se crie um preconceito sobre os seguros de vida.

Antes eu pensava: “Vou fazer um seguro (de vida) que não vou usar, não faz sentido!” ou “O que eu ganho com esse seguro?”. Estudando mais sobre o assunto descobri o conceito de seguro e quero compartilhar com você:

“A finalidade específica do seguro é restabelecer o equilíbrio econômico perturbado, sendo vedada, por lei, a possibilidade de se revestir do aspecto de jogo ou de dar lucro ao segurado.” (Fonseca, Marco Aurélio de Paiva, Apostila Teoria Geral do Seguro, FUNENSEG, 2013, p.23)

Quando conheci essa definição fiz uma reflexão: “Eu não faço seguro de carro para ser assaltado ou dar perda total, assim como não faço o seguro adicional de terceiros para poder atropelar as pessoas na rua.”. Cheguei à conclusão que eu faço o seguro de carro para não usar, pois pode ser que aconteça e isso faz todo o sentido, mas nunca tinha pensado dessa forma para outros tipos de seguros. Nos próximos artigos falarei de alguns produtos financeiros de blindagem patrimonial pensados na sua segurança e na da sua família.

2º Degrau: Investimentos

Agora que você já tem uma renda e já a protegeu, assim como protegeu sua família, vamos para o próximo degrau da pirâmide do planejamento financeiro: os investimentos. É muito comum os meus alunos e clientes me perguntarem qual o melhor investimento. Não existe uma resposta pronta para essa pergunta e ao contrário do que se pensa existe uma enorme lista de produtos financeiros para investimento, de várias marcas e preços diferentes.

Outro pensamento errado é de que se precisa de muito dinheiro para conseguir bons investimentos e de que os que têm mais dinheiro aplicam melhor do que os investidores que tem uma renda inferior. Uma matéria da revista época mostrou aonde o brasileiro prefere investir:

 

RENDA MENSAL DE R$ 800 A R$ 4 mil

X

RENDA MENSAL ACIMA DE R$ 4 mil

Produto bancário
(usado nos últimos 12 meses)

%

Produto bancário
(usado nos últimos 12 meses)

%

Poupança

45

Poupança

50

Títulos de capitalização

6,1

Títulos de capitalização

16

Fundos de renda fixa

1

Fundos de renda fixa

15

CDB

0,8

Fundos DI

15

Fundos DI

0,7

CDB

14

Fundos de ações

0,3

Fundos de ações

7,9

Fundos mistos (renda fixa e variável)

0,1

Bolsa

1,8

Obs: Tabelas extraídas  matéria da revista Época.

Fundos multimercado ou derivativos

1,6

Compra e venda de ações em corretoras

1,3

Fundos mistos

1,2

Fundos multiportifólios

0,5

Títulos públicos em corretoras

0,4

Fundos cambiais

0,3

Títulos privados (debêntures)

0,3

Investimentos financeiros no exterior

1,8

 

A falta de educação financeira é uma epidemia que vai passando de geração para geração, independente da renda do brasileiro, como podemos ver nesse estudo. Você precisa conhecer os produtos financeiros para ter liberdade de escolher o que é melhor e não deixar na mão de um engravatado decidir o que é melhor para você.

Mas antes de você conhecer os produtos financeiros, você precisa conhecer seu perfil de investidor. Feito o teste, você precisa definir quais os seus objetivos financeiros de curto (fazer uma viagem), médio (comprar ou trocar de carro por exemplo) e longo prazo (comprar um imóvel), pois vai precisar de um produto diferente para cada objetivo diferente. Depois isso, o primeiro investimento que recomendo a todos os meus clientes é de investir em conhecimento. Ler livros, fazer cursos e buscar ajuda de especialistas que podem acelerar sua caminhada em busca da independência financeira.

3º Degrau: Conquistas / Patrimônio

Esse é o degrau das realizações, onde nossos objetivos financeiros estão sendo alcançados. Se você seguir o passo-a-passo do planejamento descrito nesse artigo, você com certeza terá tudo o que sempre quis, talvez não tão rápido como imaginou, mas com certeza com muito menos trabalho e muito mais segurança do que se tivesse pulado alguma das etapas anteriores.

É nesta etapa aonde o seu patrimônio se solidifica. Você tem uma renda segura, você sabe aonde quer chegar, tem conhecimento dos produtos de investimento e sabe escolher os produtos que aceleram seus objetivos financeiros. Ter esse controle da vida financeira não é fácil, mas é recompensador.

Quanto mais cedo você entender a necessidade desse planejamento, mais controle você terá das sua vida e terá mais tempo para focar em projetos pessoais, família e amigos. Tem uma passagem do best seller de Robertt Kiosaki, Pai Rico Pai Pobre, que ilustra bem o resultado de um planejamento financeiro bem sucedido:

“Um luxo verdadeiro é uma recompensa por ter investido e desenvolvido uma coluna de ativos. Por exemplo, quando minha mulher e eu auferimos uma renda maior com nossos apartamentos, ela comprou sua Mercedes. Ela não fez nenhum trabalho extra, ou arriscou sua parte, porque os imóveis compraram o carro. Contudo, ela teve que esperar durante quatro anos enquanto o portfólio de imóveis crescia e finalmente começou a gerar suficiente renda extra para pagar o carro.” (Kiyosaki,Robertt; L. Lechter, Sharon, Pai Rico Pai Pobre, Campus, 2000, p.112)

4º Degrau: Sucessão dos Bens

O planejamento sucessório é de vital importância para que seus sucessores tenham mais agilidade e menos custos na hora de receber os bens que você deixou. Existem alguns instrumentos financeiros e jurídicos que podem ajudar e muito nesse processo.

Certa vez ouvi de um aluno que ele já havia pensado nisso e por isso trabalhou duro para deixar um patrimônio grande para seus sucessores. Tinha uma fazenda avaliada em 15 milhões de reais, algumas aplicações e que sua família ficaria muito bem após sua morte. Na verdade ele fez um bom planejamento financeiro, mas não sucessório.

Perguntei para ele se ele sabia quanto à família dele iria ter de pagar para ter acesso a essa fazenda e outras aplicações financeiras que ele tinha. Ele não soube responder com precisão. Foi então que eu o informei que a família teria de desembolsar aproximadamente 12% do valor de todo o seu patrimônio para passar a ser dona e usufruir ou vender os bens. Mesmo que a família tivesse esse dinheiro e quitasse de imediato todos os custos com honorários advocatícios, imposto de transmissão, entre outros, a justiça no Brasil não é das mais rápidas e isso poderá levar anos. Por quanto tempo será que a família conseguiria arcar com os custos desses bens?

Instrumentos jurídicos como a holding patrimonial e instrumentos financeiros como previdência privada e seguro de vida ajudam muito nesses casos. A holding patrimonial tem algumas vantagens tributárias e os seguros de vida e previdência privada além de benefícios tributários, economizam gastos com honorários advocatícios e não entram em inventário.

Esse é o planejamento sucessório de quem tem patrimônio, mas e quem não tem o que deixar? Precisar pensar em planejamento sucessório? Vou te contar outro caso de um outro aluno. Depois de aprender mais sobre educação financeira ele me confidenciou de que estava com uma autoestima muito baixa por nunca ter construído um patrimônio que pudesse deixar para o seu filho. Foi então que mostrei a possibilidade dele criar um patrimônio, com instrumentos financeiros, do valor de um apartamento para deixar para seu filho com um custo muito inferior ao da compra efetiva do imóvel, do qual ele não teria condições de arcar. Moral da história, mesmo quem não conseguiu construir patrimônio, mas quer deixar alguma coisa para as pessoas importantes da sua vida, conseguem fazê-lo com educação financeira e escolha dos produtos certos.

Os detalhes de execução de todo esse planejamento financeiro e sucessório você vai poder acompanhar nos próximos artigos do Investidor Absoluto. Divulgue esse artigo e ajude a criar a maior comunidade de educação financeira do Brasil. Deixei seu comentário sobre o artigo e também seu depoimento de como você faz seu planejamento financeiro, pois muitos leitores desse blog podem aprender com você também.

Fontes:

 

maxlindercampos
Written by maxlindercampos
Profissional CFP®, Administrador, MBA em Finanças, SUSEP, CPA-20, CEA-ANBIMA, PQO-BMF&Bovespa, Educador Financeiro, Empreendedor e aficionado por novos conhecimento.

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