“Sempre tive vontade de saber mais sobre investimento, mas ando sem tempo”. “Estou sem tempo para fazer cursos de educação financeira”. “Não gosto de matemática”. “Acho a economia muito complicada. Depois eu vejo isso”.

Essas ponderações te soam familiar? Pois é, tempo é sem dúvidas o ativo que mais se valorizou no último século. Você com certeza já ouviu a máxima de Benjamin Franklin – “Tempo é dinheiro!” – e eu quero te convidar a refletir sobre isso comigo.

A invenção do relógio e a Revolução Industrial mudaram a forma de como enxergamos o tempo. Com a invenção do relógio o dia pôde ser dividido e o tempo pôde ser medido. Em “Vivemos Mais! Vivemos Bem?”, os autores Mário Sérgio Cortella e Terezinha Rios trazem a tona uma reflexão sobre tempo como mercadoria. O livro traz a ideia de tempo como produto que podemos usar como moeda de troca.  Desse ponto de vista, o dono da empresa que você trabalha está comprando o seu tempo hoje e o tempo que você investiu no seu conhecimento específico na sua formação.

Em outras palavras você está alugando uma parte da sua vida ao seu empregador ao trabalhar para ele. Isso mesmo, se tempo é dinheiro você está investindo o seu tempo para gerar riquezas maiores para outrem. Você está trocando seu ativo mais valioso por dinheiro, mas e depois? Você não terá saúde para trabalhar eternamente e precisa fazer o seu dinheiro render o suficiente para que no futuro não precise vender o seu tempo para ganhar dinheiro.

Mais tempo, mais informação, mais dinheiro?

Tempo é uma mercadoria que você não pode produzir. Não temos como pegar tempo emprestado, voltar atrás no tempo ou guardá-lo para usar depois, por isso é tão valioso. Muitas vezes passamos mais tempo no trabalho do que em casa, abrimos mão de estar com a família e com os amigos para ganhar dinheiro.

Durante toda a sua vida você foi treinado a reter conhecimento para que ele pudesse ser usado como moeda de troca na sua vida profissional, mas ninguém ensina nas escolas o que fazer com esse dinheiro ganho depois. Somos o tempo todo atacados por novos padrões de consumo cada vez mais caros. Você sabe quanto seu chefe te paga por hora? Você já fez as contas de quantas horas trabalhadas você teve de fazer para comprar algo?

Uma situação que nos rouba tempo hoje é o excesso de informações desnecessárias que consumimos. “Ser inteligente, hoje, é saber ser seletivamente ignorante”, como sugere o Pedro Burgos em seu artigo para o site Papo de Homem sobre selecionar as informações que chegam até você. Minha proposta com o Investidor Absoluto é trazer sempre conteúdos que permitam que você tenha mais tempo para você. Quer saber como?

Bom, o que aposentadoria, ou independência financeira, significa para você?

“Aposentar-se, em finanças pessoais, significa, portanto, atingir uma segurança financeira que lhes permita viver a vida como vocês gostariam. Talvez até trabalhando muito.” (Cerbasi, Gustavo, Casais Inteligentes Enriquecem Juntos, 2004 p.149).

Voltando a reflexão de tempo como mercadoria, a aposentadoria é como se você não precisasse mais vender o seu tempo para viver.

“É interessante porque parece que a aposentadoria se dá, em tese, quando eu tomo a minha vida de volta, isto é, não trabalho para mais ninguém. Agora o tempo é meu, posso fazer dele o que eu quiser.” (Rios, Azerêdo Terezinha; Cortella, Mario Sergio, Vivemos Mais! Vivemos Bem?, 2013, p.54)

A aposentadoria é o momento que você retoma sua vida, o seu tempo, e é por isso que queremos nossa independência financeira logo, para ter nosso tempo em tempo integral, para ficar com a família e amigos, fazer o que gostamos, talvez até continuar trabalhando muito como sugere Gustavo Cerbasi em sua definição de aposentadoria.

Querer e não agir é o mesmo que não querer. Uma matéria do Jornal Nacional da Rede Globo, de 07/10/2013, apresentou uma pesquisa feita em 15 países mostrando que no Brasil mais de 60% das pessoas não fazem qualquer tipo de reserva para a aposentadoria, ou seja, mais da metade da população do Brasil não pensa e nem planeja seu futuro. Mesmo com o aumento da expectativa de vida, os brasileiros, de forma geral, não se preparam como deveriam porque não investiram em educação financeira e tendem a ficar reféns do sistema. São obrigados a vender seu tempo mesmo com idades mais avançadas para manter seu padrão de vida ou as vezes até mesmo para manter sua existência. De que adianta viver mais sem qualidade?

E pior ainda está por vir… dessa parcela que se preocupam com aposentadoria, uma boa parte está contando com o INSS e outra boa parte está comprando produtos de previdência privada caríssimos que ao invés de acelerar o processo, só atrasam. Nos próximos artigos veremos alguns instrumentos financeiros que são fundamentais para que nosso dinheiro se valorize o suficiente para chegarmos a uma idade e não precisarmos mais vender nosso precioso tempo.

Quero me aposentar logo!

Para se aposentar você primeiro precisa construir riquezas ou saber administrar a que já possui para rentabilizá-la mais ainda. Tem que investir parte do seu tempo em educação financeira. Começando por entender melhor o valor do dinheiro no tempo e saber usar os juros compostos a seu favor, pois como dizia Albert Einstein: “Os juros compostos são a maior força do universo”.

É comum eu ouvir dos meus alunos, inicialmente, que eles estão esperando ter mais dinheiro para começar a investir. É natural, pois ainda não conhecem a força dos juros compostos. Só pra você ter uma ideia dessa força, vamos supor que João ache R$ 1.000,00 um valor pequeno para começar a investir mensalmente e está esperando poder juntar R$ 1.500,00. Manuel começa a juntar esses R$ 1.000,00 hoje, pois acompanha de perto as dicas do Investidor Absoluto.  João e Manuel precisam resgatar seus investimentos daqui a 30 anos para suas aposentadorias. Cinco anos depois de Manuel, João consegue juntar os R$ 1.500,00 que queria por mês. Ambos aplicam no mesmo produto financeiro que rende 15% ao ano.  No dia combinado para o resgate quem se aposentará melhor? Manuel que começou apenas cinco anos antes aplicando menos ou João que apesar de ter começado depois aplicava 50% a mais do que Manuel?

Se você respondeu Manuel, você acertou! Manuel, mesmo com valor menor começou antes e usou os juros compostos durante cinco anos a seu favor para se aposentar com R$ 5.631.770,00 enquanto o patrimônio de João para se aposentar será de R$4.134.841,00. Uma diferença de R$1.469.929,00 a favor de Manuel, que investiu uma parte do seu tempo em educação financeira e precisou fazer menos esforço para juntar o dinheiro.

Num primeiro momento parece complexo e solitário colocar na prática o planejamento para aposentadoria, existe pouca informação sobre o assunto e muita delas vem de empresas que ganham dinheiro com a venda desses produtos, o que pode tornar a informação menos confiável. Mas acalme-se, hoje você deu seu primeiro passo se conscientizando do problema e ao longo dos próximos artigos irá aprender como colocar o plano em prática.

Pode ficar tranquilo, você não está mais sozinho nessa caminhada. A partir de hoje eu seguirei junto com você e te mostrarei o que acelera e o que atrasa seu planejamento financeiro. Você vai ser tonar um Investidor Absoluto. Vai aprender a comparar os produtos financeiros. Irei ser advogado do seu bolso e defenderei seus interesses financeiros com conteúdo e informação, simples, prática, objetiva e sem “financês”.

Compartilhe esse artigo com seus amigos e familiares. Deixe seu depoimento de como você planeja a sua aposentadoria, pois outros leitores podem aprender com você também. Seu comentário é muito importante para criarmos a maior comunidade de educação financeira do Brasil.

Referências:

maxlindercampos
Written by maxlindercampos
Profissional CFP®, Administrador, MBA em Finanças, SUSEP, CPA-20, CEA-ANBIMA, PQO-BMF&Bovespa, Educador Financeiro, Empreendedor e aficionado por novos conhecimento.

    4 Comentários

  1. Pedro 2 de junho de 2015 at 02:35 Responder

    Max, concordo com você, tempo é um ativo valiosíssimo e seu custo de oportunidade é extremamente alto. Nessas horas, a determinação no objetivo longínquo é o que faz diferença no sucesso.

  2. Igor Pires 2 de junho de 2015 at 15:23 Responder

    Olá, Max,

    Interessante seu artigo. Gostaria de saber quais os riscos de um investimento tão lucrativo quanto o que você apresentou no artigo, porque, se não me engano, quanto maior é o retorno esperado de um investimento, maior é o risco de, em havendo crise de confiança, haver derretimento dos lucros ou mesmo a perda do capital investido.

    • maxlindercampos
      maxlindercampos 7 de junho de 2015 at 19:54 Responder

      Perfeito Igor! Nos próximos artigos irei entrar em detalhes sobre produtos, mas já te adianto que alguns de nossos títulos públicos federais que são considerados o nosso investimento mais seguros estão próximos dessa taxa de 15% ao ano que usei no meu exemplo. A expectativa do mercado financeiro é que a SELIC (a taxa básica de juros do Brasil, que serve de base para remuneração dos ativos de renda fixa) chegue nos 14,50% a.a.em 2016, mas atualmente essa taxa está 13,75%. Se você pesquisar no site do Tesouro Nacional, irá encontrar títulos públicos federais de longo prazo com 6% de juros real, ou seja, corrigindo seu dinheiro pelo IPCA (inflação medida pelo IBGE que acumulada nos últimos 12 meses está 8,20%), mais 6%, o que já se aproxima bastante dos 15% que usei no exemplo.

      Se o emissor “mais seguro” paga hoje 13,75%, qualquer título de renda fixa de outro emissor terá que pagar uma taxa maior, pois além da SELIC, deverá pagar um prêmio de risco para compensar o investidor, caso contrário o investidor racional irá preferir aplicar nos títulos públicos federais.

      Apesar de seguros do ponto de vista do risco de crédito e liquidez, esses títulos públicos federais tem risco de mercado e antes de aplicar, é recomendado que procure um profissional experiente que possa te orientar melhor para ver se esse é de fato o melhor investimento para o seu perfil e para o seu planejamento.

  3. Igor Pires 10 de junho de 2015 at 01:15 Responder

    Boa noite, Max!

    Agradeço a atenção! Entendo. Penso em investir em títulos (financeiros) no futuro, mas, uma vez determinado a fazê-lo, consultarei antes especialista(s), e você em particular. Um abraço, paz e bem a você!

    Att,
    Igor.

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